Não tenho mais vontade de contar minhas histórias.Nem de esconder minhas mentiras.
Deixo o mundo sabendo que eu sou um mentiroso.E minto com tamanha habilidade, que acredito no que digo.E a verdade é uma meia mentira,e a mentira, uma meia verdade.Tenho medo de encontrar quem realmente está ao meu lado:cansado e com a cabeça doendo.Dá pra entender como essa cidade cansa.À noite, a cidade dança.Com o Sol, a cidade mansa.
Tenho a mania de transformar meus passos em narrativa. O movimento mais banal eternizado em linhas ainda sem rumo. É uma mania minha. Parece que assim minha vida se torna algo importante, capaz inclusive de atrair a atenção de um narrador.Deste modo, alguém se preocupa com o destino do personagem protagonista da história de minha vida. Depois disso, parece que minha vida sempre se passou debaixo do tapete; e agora tenho as chagas reveladas, de um corpo pútrido, feridas purulentas, a cútis anêmica; velado solitariamente o cadáver de finos fios de cabelos desregrados e sebosos; de olhos esbugalhados em busca de luz, as pupilas dilatadas; a boca entreaberta de lábios ressequidos e rachados, dos dentes podres: a face de rugas de um doente terminal.
Uma vida em terceira pessoa, como alguém voando ao meu redor.