sábado, 1 de outubro de 2011
a fiado
domingo, 21 de agosto de 2011
Entre grades
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“Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.”
Ferreira Gullar – “Traduzir-se”
Os caminhos que percorremos na cidade estão cada vez mais perigosos. Mas são os muros que delineiam as permanências que tornam os espaços mais seguros? Ferreira Gullar, em sua coluna semanal no caderno “Ilustrada”, fala sobre uma noção de segurança nas praças e logradouros cariocas dada graças às grades que os circundam. Como se as mesmas fossem filtro demográfico, o interior de tais praças deixou de ser povoado por moradores de rua e passou a abrigar crianças e o poeta em suas vãs andanças.
É curioso notar essa crescente noção de segurança atrelada ao isolamento das porções de habitantes de uma cidade: o direito de ir e vir não é bloqueado pelas grades que cercam as praças, as próprias pessoas que o freqüentam –e sua ausência- o fazem. Essa que é a verdadeira noção de segurança nos caminhos que formam a cidade: o olhar do outro; o que garante o fluxo de pessoas nas calçadas das cidades são as próprias pessoas. Passeios largos e bem projetados são um convite ao transeunte, e este é um alento de segurança ao outro pedestre. As cercas, grades e muros dão noções de uma segurança muito mais frágil e instável, que dispensam citar os exemplos de atentados, assaltos e roubos em shoppings, escolas e caixas eletrônicos.
Se a praça do Leme tornou-se um lugar mais ou menos seguro, não posso garantir, afinal, nunca estive no Rio de Janeiro. Mas essa noção de vizinhança que convida ao carteado, ao jogo de damas e a permanência tem um papel muito mais influente em manter a segurança do local do que as grades que o circundam. E se os cidadãos que fazem parte desta rotina estiverem dispostos ao convívio, as grades sairão como se nunca tivessem sido postas.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Caos, ferida e cura
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Cartas

Fica evidente minha ausência na literatura virtual. Mas, caso alguém se interesse, estou disposto à enviar boletins rotineiros pelos Correios, já que estou preferindo escrever em minha Olivetti. Basta enviar um e-mail para andre.romitelli@yahoo.co.uk com:
-Nome;Não vou cobrar nada, afinal, nem tenho como fazer isso. É apenas para selar um vínculo, literalmente, com pessoas com as quais compartilho interesses recíprocos.
-Endereço (não esqueçam do CEP, viu? Sim, preciso dele pra mandar cartas);
-e me conte um pouquinho sobre você.
Agradeço todo o carinho que recebi muitas vezes como blogueiro, mas não há nada como ouvir os tipos carimbarem meus pensamentos na cândida folha. Eternamente.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Exercitando-me eu mesmo
Eu; não-eu; Então, lá fora
Eu; há muito fui embora.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Polvilho

Aquele gostinho salgado na boca, como água do mar. Gostinho mastigado de infância; de infância mitigada e quase esquecida. A boca fica pedindo um pouco mais, e os dentes trituram aquele pedaço de passado que derrete na língua; a anatomia da boca não foi feita pra guardar memórias... E eu quase esqueci que eu caminhava de volta pra algum lugar. Mas o saco na minha mão, e a saudade na boca, derretendo e indo em volta. Agora lembrei que era uma daquelas noites quentes dessa primavera doida e seca, quase claustrofóbica, que nem todo mundo sabe; e aquela brisa velha e deformada quase não balançava meus cabelos. Mas minha língua balançava remoendo um pouco do que sobrava daquela massa branca presa nos bréquetes do aparelho, duas coisas de crianças que são insustentáveis juntas. Enfim, foi nessa noite, eu me lembro bem, que eu vi que estava tudo bem, e aquela noite abrigava tantas pessoas naquele meio de vazio, que eu me senti sendo parte de uma unidade como não acontecia há muito tempo, vendo que tudo estava no lugar, estava tudo bem. E senti pela primeira vez que estava tudo em ordem.


