my heart beats precisely at the same rate.
the smell of a plastic flower.
robotic eyes.
my sensible touch.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
a canção de maria
Onde estais, cuidados meus?...
Sabei que a minha alegria
É toda vinda de Deus...
Deitei-me triste e sombria,
E amanheci como estou...
Tão contente! Todavia
Minha vida não mudou.
Acaso enquanto dormia
Esquecida de meus ais,
Um sonho bom me envolvia?
Se foi, não me lembro mais...
Mas se foi sonho, devia
Ser bom demais pra mim...
Senão, não me sentiria
Tão maravilhada assim.
Ó minha linda alegria,
Trégua dos cuidados meus,
Por que não vens todo dia,
Se é toda vinda de Deus?
Manuel Bandeira (1913)
sábado, 5 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
vai e vem
é como se voltasse de uma viagem tão distante; como se eu não soubesse donde vim. É sempre a mesma sensação de transporte imediato; de tirar os pés do chão. Andando nas ruas, sentado no chão, mas principalmente deitado na cama antes de dormir; sou catapultado para desconhecidos anos e a brutal sensação (o horror, o horror) me toma o corpo. E volto rapidamente pra dormir, pra sentar ou caminhar, pois estou aqui ainda.
domingo, 22 de abril de 2012
domingo velho
tomado novamente pela raiva da condição humana, das brigas por existir, das lições desnecessárias ao ouvido; esse mal catalizador que transborda veias quase como a ressaca que os deglute, bem aventurados notívagos; da catarse coletiva resta essa falsa curiosidade pelos assuntos moribundos, como a noite, a lua e a própria vida; resta-me um pouco de paz na certeza da perfeição não como objeto desejado de alcance infinito, de significado infindável, surge como espuma flutuante, como bem estar, exaurindo a dor, o pranto e choro de independente e invariável origem; talvez dentro dessa nota sagaz e sem sentido, dentro desse mais um domingo chuvoso, dentro do meu peito e do seu, talvez dentro de tudo isso, como caixas que se inserem em caixas, esteja o verdadeiro motivo de ser futuro, de ser pequeno e de ser curto; de estar em paz.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
meu bem 2

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nada a dizer sobre a vida
que eu deixei de levar
do salário que eu deixei de ganhar.
sei que tem algo de errado
em ser um pouco feliz
num mundo com tudo ao contrário
e um puta medo do fim.
é de se desculpar pela minha falta de caráter
em nem pedir perdão
nem me interessar
por qual a sua escolha, sua opinião;
me corrói saber desse embargo inútil
da sua vida suprimida
naquilo que resta dela em mim
no seu refúgio amarelo.
isso vale pra ti
e para quem mais teve de mim esse amálgama infeliz.
essa memória triste, que vá embora.
pois estou em paz, e que fique.
isso vale pra dizer que meu barco foi embora,
e ninguém entendeu,
por mais simples que seja,
o meu sorriso bobo.
que mesmo ausente do rosto,
retumba na alma.
reflete no corpo
e brilha no escuro.
Por que todos entendiam somente
minhas dores?
venho em missão de paz,
lhe recebo em minha taba,
onde a regra única é o amor.
comemoro seu sorriso,
acaricio seu rosto
e lavo da sua alma
todo o passado e a dor.
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